Glossário

Este espaço apresenta um lista de entradas, organizadas em ordem alfabética, que  visam auxiliar na compreensão de termos, de conceitos transdisciplinares e o modus operandi de um trabalho co-formativo.

ABDUÇÃO: (inferência abdutiva) hipótese a partir de um novo quadro de inferência. Também chamada retrodução, é um termo usado por Peirce para substituir o usado inicialmente, hipótese. É a inferência que nos leva a propor uma hipótese nova capaz de dar conta de algo inexplicável pelos conhecimentos atuais. (Fonte: Charles Sanders Peirce, filósofo americano (1859-1913). Sua teoria foi redescoberta pela semiologia, pela filosofia, pela fenomenologia e agora pela transdisciplinaridade)

ACENO:  O fundamento do verdadeiro é o poder se mostrar das coisas. As coisas se mostram se escondendo. Cada coisa é o mostrar-se finito de algo por oposição ao que não está a mostra. Apesar dessa dificuldade somos sensíveis a essa possibilidade de abertura para o que não se vê. Quando isso nos atinge é sempre um estranhamento, percebemos o aceno, o chamado que é silencioso, não é um dito a que estamos acostumados, é um caminho novo que até então desconhecíamos e que abre novas possibilidades e novas articulações. Entender o chamado é uma possibilidade nossa e deixar que ele nos transforme ou não é uma escolha. [Heidegger]

ABERTURA: É onde estamos, é o Aí onde existimos e se constitui de: entendimento, de encontrar-se e da fala/linguagem. [Heidegger]

ACOPLAMENTO ESTRUTURAL: “Maturana e Varela observam que o sistema vivo e o meio em que ele vive se modificam de forma congruente. Na sua comparação, o pé está sempre se ajustando ao sapato e vice-versa. É uma boa maneira de dizer que o meio produz mudanças na estrutura dos sistemas, que por sua vez agem sobre ele, alterando-o, numa relação circular. A esse fenômeno, eles deram o nome de acoplamento estrutural. Quando um organismo influencia outro, este replica influindo sobre o primeiro. Ou seja, desenvolve uma conduta compensatória. O primeiro organismo, por sua vez, dá a tréplica, voltando a influenciar o segundo, que por seu turno retruca – e assim por diante, enquanto os dois continuarem em acoplamento.” (MARIOTTI, Humberto. Autopoiesis, cultura e sociedade. www.pluriversu.org <http://www.pluriversu.org>. Acesso em 22.03.2003)

ADAPTAÇÃO: “Nessas circunstâncias e diante desse fenômeno de acoplamento estrutural entre os organismos e o meio como sistemas operacionalmente independentes , a manutenção dos organismos como sistemas dinâmicos em seu meio aparece como centrada em uma compatibilidade organismo/meio. É o que chamamos de adaptação.” (MATURANA, Humberto R., VARELA, Francisco. A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. São Paulo: Palas Athena, 2001. p.114)

APRENDÊNCIA: O termo aprendência, neologismo criado por Hélène Trocmé-Fabre na década de 90, foi escolhido de preferência ao termo “aprendizagem”, ainda frequentemente utilizado na educação. Afirma a autora que  Aprendência é um  conceito mais vasto,  dinâmico, nômade e mestiço que melhor expressa as  pesquisas recentes na área de neurobiologia que confirmam que somos capazes de aprender ao longo de toda a vida. O substantivo aprendência, graças a seu sufixo ência indica que se trata de um processo que se inscreve na duração, na relação viva entre educante/aprendente ao invés da aridez pedagógica que pode emergir da relação educador/aluno, cuja etimologia  indica com aquele que conduz e aquele que não tem luz.(Maria F. de Mello)

ATITUDE TRANSDISCIPLINAR: “Fechando esta apresentação do paradigma, gostaríamos de comentar as três características essenciais da atitude transdisciplinar: o rigor, a abertura e a tolerância e com isto, abrir a perspectiva metodológica. O rigor diz respeito ao uso da linguagem como principal elemento mediador da dialógica ternária do transdisciplinar, dando qualidade na relação entre os sujeitos e seus contextos. A abertura diz respeito a possibilidade do inesperado na construção do conhecimento advindo das zonas de resistência entre sujeito e objeto. Já a tolerância significa o reconhecimento das posições contrárias e que estas podem avançar ou não no campo epigênico das idéias. O futuro, do ponto de vista transdisciplinar, não está determinado nem construído a priori. Há que se decidir por ele no presente.” (SILVA, Daniel José. O paradigma transdisciplinar: uma perspectiva metodológica para a pesquisa ambiental. www.cetrans.futuro.usp.br/textos <http://www.cetrans.futuro.usp.br/textos>. Acesso em 26.04.2003)

AUTO (prefixo): O prefixo auto não pode ser traduzido simplesmente por sujeito, ego, self, si, etc.. Esse prefixo remete a diferentes níveis de consciência, cada um dos quais tendo suas próprias leis e sua própria coerência.

AUTOFORMAÇÃO: Diante da supremacia da ideologia cientificista no campo da educação, a autoformação emerge como um dos modelos de ação educativa, no contexto das atuais correntes de educação de adultos, “que busca desenvolver uma abordagem interior da educação” (1). A autoformação considera a pessoa como unidade fundamental, como centro, do processo educativo e formativo. “É o autos, a pessoa, o sistema pessoa, o sujeito da compreensão, que é desafiado a ser simultaneamente sujeito e objeto da formação de si próprio” (2), ou seja, é a pessoa reconhecendo-se em sua identidade própria, em sua história de formação, podendo atribuir sentido à própria vida e à relação com o meio físico e sócio-cultural em que vive, ao mesmo tempo que, através de um trabalho sobre si, tomando consciência do seu próprio funcionamento, vai, ao longo do processo, se construindo, produzindo novas formas. Não se trata de um processo isolado, de uma egoformação. “A autoformação é um componente da formação considerada como um processo tripolar, pilotado por três pólos principais: si (autoformação), os outros (heteroformação), as coisas (ecoformação)” (1), articulando a interação pessoa/meio ambiente e a tomada de consciência reflexiva. Essa articulação se dá através de “três processos de retroação: retroação de si sobre si (subjetivação), retroação sobre o meio ambiente social (socialização) e retroação sobre o meio ambiente físico (ecologização)” (1). Segundo Pascal Galvani, a reflexão sobre a autoformação “requer, por um lado, uma abordagem transdisciplinar, para considerar a pluralidade de níveis de realidade desses dois conceitos: autos (si) e formação. E, por outro lado, que a autoformação é um processo antropológico que requer uma abordagem transcultural”. (1) GALVANI, Pascal. A Autoformação, uma perspectiva transpessoal, transdisciplinar e transcultural. In: Educação e transdisciplinaridade II. São Paulo: TRIOM, 2002. (2) COUCEIRO, Maria do Loreto Pinto de Paiva. Processos de Autoformação: uma produção singular de Si-Próprio. 1992. Dissertação (Mestrado em Ciências de Educação) – Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Portugal.)

AUTONOMIA: independência da vontade e capacidade de determinar-se em conformidade com uma lei própria, que é da razão. “Princípio autônomo”, aquele que põe em si a validade ou regra de sua ação. (Abbagnano, Nicola. Dicionário de filosofia. 2000.)

BIOSCOPIA: Um dos instrumentos do modelo proposto por H. Desroche em L’autobiographie raisonée. Segundo Desroche, a autobiografia reflexiva socorre-se de quatro instrumentos que são : a bioscopia – uma espécie de radiografia do percurso de vida narrado, o projeto – evidenciado heuristicamente a partir do que é enunciado, o plano – que procura interligar bioscopia e heurística num retrato que permita objetivar essa inter-relação, e, finalmente, a carta aberta ou texto livre – solicitado ao sujeito de modo a ele poder exprimir-se na primeira pessoa. A bioscopia sugerida por Desroche permite a elaboração de um perfil. Numa atitude livre de qualquer submissão a esquemas rígidos, a bioscopia parte da organização do espaço numa folha de papel, onde se vão inscrevendo diferentes dados – datas, que são indicadores da idade pessoal e dos fatos referidos, configuração familiar, informações várias sobre os estudos formais e não-formais realizados e as atividades quer sociais, quer profissionais. Procura-se, então, estabelecer correlações pressentidas e esboça-se uma grade de análise, utilizando algumas categorias que explicitarão a natureza dos fatos narrados e um sistema de flechas que evidencia as interferências ou interfaces entre elas, o sentido das influências desses fatos no processo de autoformação. A bioscopia vai permitir, então, assinalar, discernir, correlacionar propensões, virtualidades, potencialidades, competências e a explicitação de um projeto. Isso é evidenciado pela flechagem vertical ou transversal que permite notar as densidades que se agregam, as complementaridades que se afirmam, as bifurcações que se interrogam, os impasses que se fecham, as veleidades que se excluem, as constantes que se repetem, as experiências que se acumulam, as aquisições que se ampliam ou, pelo contrário, os à margem que se diminuem, os sistemas de constrangimentos e suas limitações. É importante analisar maduramente o esboço construído e considerar tanto as continuidades reveladas, como as descontinuidades evidentes. A bioscopia pode ser um instrumento utilizado para evidenciar a estrutura do percurso de autoformação. (COUCEIRO, Maria do Loreto. Processos de autoformação: uma produção singular de si próprio. Tese de Mestrado em ciências da Educação, Universidade Livre de Lisboa, 1992)

BLOG: é um  recurso tecnológico de comunicação assíncrona, bastante conhecido entre os internautas, e que pode servir para acompanhar e divulgar projetos em quaisquer áreas do conhecimento e/ou atividades virtuais. O termo Blog vem da abreviação de weblog: web (tecido, teia, também usada para designar o ambiente de internet) e log (diário de bordo). É uma ferramenta do mundo virtual que permite aos usuários colocar conteúdo na rede e interagir com outros internautas, mas que é caracterizada pela informalidade na comunicação. Não existem regras específicas para participar de um Blog, mas, está se convencionando que “o texto da pesquisa deve estar corretamente digitado, sem “erros”. Já as mensagens informais entre eles podem ser publicadas com as particularidades do texto cibernético”. Espaço privilegiado onde os internautas e/ou participantes de um processo virtual específico, podem comentar como está sendo sua participação, aprendizagem e interação naquele contexto.

COMPLEXIDADE: (1) (…) Tais exemplos evidenciam o que Morin (2001) entende por complexus, ou seja, o que foi tecido junto. Isto significa que só há complexidade quando há elementos diferentes, porque tecidos juntos, se tornam inseparáveis, constituindo um todo, um sistema, no qual as partes constituem uma unidade complexa – unitas/multiplex. É importante marcar que a noção de sistema de Morin (1980) se distancia da noção funcionalista e reducionista veiculada na década de 60. Enquanto esta última reduz as propriedades das partes às propriedades do todo, simplificando o problema da unidade complexa, aquela parte do pressuposto de que o sistema se constitui a partir da articulação, da organização e da unidade complexa. O sistema é uma complexão, ou seja, um conjunto de partes diversas inter-relacionadas (Morin, 1977). Nessa perspectiva, vamos entender a organização como um sistema auto-organizado complexo. 
(TEIXEIRA, Maria Cecília Sanchez. O imaginário como dinamismo organizador e a educação como prática simbólica <http://www.cice.pro.br/textos/cecilia_brasilia.doc>. Acesso em 26.03.03) (2) (…) Morin entende a complexidade como um tipo de pensamento que não separa, mas une e busca as relações necessárias e interdependentes de todos os aspectos da vida humana. Trata-se de um pensamento que integra os diferentes modos de pensar, opondo-se aos mecanismos reducionistas, simplificadores e disjuntivos. Esse pensamento considera todas as influências recebidas, internas e externas, e ainda enfrenta a incerteza e a contradição, sem deixar de conviver com a solidariedade dos fenômenos existentes. Enfatiza o problema e não a questão que tem uma solução linear. Como o homem, um ser complexo, o pensamento também assim se apresenta. 
(PETRAGLIA, Izabel . Complexidade e auto-ética. www.pluriversu.org <http://www.pluriversu.org>. Acesso em 18.04.2003)

COMPLEMENTARIDADE: É o que torna completo, inteiro. No texto ele se refere ao sujeito e ao objeto, que no regime diurno surgiam como pares de opostos, e no regime noturno se tornam complementares, saindo da oposição para a cooperação, tornando-se pares complementares.

COMPORTAMENTO: Chama-se Comportamento às mudanças de postura ou posição de um ser vivo, que um observador descreve como movimentos ou ações em relação a um determinado ambiente.
(MATURANA, Humberto R. VARELA, Francisco J. A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. São Paulo: Palas Athena, 2001. p.153)

CONCORDÂNCIA CULTURAL: Um conjunto de valores, normas e modelos capazes de definir um determinado grupo cultural e identificar os indivíduos de um mesmo sistema mediante um contacto mais ou menos consensual com certos aspectos da realidade. (A representação da realidade – 1 www.psiqweb.med.br/cursos/repres.html <http://www.psiqweb.med.br/cursos/repres.html> Acesso em 26/03.2003)

CONHECIMENTO APROPRIADOR: Um ato livre e criativo, original, presente desde sempre, aberto a possibilidades, mas ainda por ser descoberto. [Heidegger]

CONSCIÊNCIA ORIGINAL: (7º parágrafo) “A autoformação aparece aqui como o urgimento de uma consciência original na interação com o meio ambiente” (GALVANI, Pascal. Autoformação, uma perspectiva transpessoal, transdisciplinar .e transcultural.  Educação e Transdisciplinaridade II. UMESCO/Brasília e  São Paulo: Triom, 2002) . Comentários: A língua francesa tem uma sutileza que não existe no português. originalle – “adj.:primitivo, que serve de modelo. Novo: um pensamento original. Que tem sua marca própria: talento original. Singular, bizarro: caráter original”. Originelle: “adj.: que remonta às origens”. Parece que ele se refere a uma nova consciência que surge a partir da reflexão da autos sobre si mesma e sobre as suas interações com o meio físico e social. Mas, na nota 2 ele diz: “Eu só tenho consciência de mim mesmo [sujeito psicológico] porque um nível superior (sujeito transcendental) me permite me pensar como eu entre outros eus e, portanto, integrar a possibilidade de outros centros de perspectiva sobre o real. Mas, além disso, essa possibilidade de todas as perspectivas sobre o real só se justifica pelo sujeito” .

DEDUÇÃO: É a inferência necessária – aplicação de uma regra geral ao caso particular. “Todos os homens são mortais. Sócrates é um homem. Sócrates é mortal”.

DETERMINISMO ESTRUTURAL: “Segundo Maturana e Varela, os seres vivos são determinados por sua estrutura. O que nos acontece num determinado instante depende de nossa estrutura nesse instante. A esse conceito, eles chamam de determinismo estrutural. A estrutura de um sistema é a maneira como seus componentes interconectados interagem sem que mude a organização. (MARIOTTI, Humberto. Autopoiesis, cultura e sociedade. www.pluriversu.org <http://www.pluriversu.org>. Acesso em 22.03.2003.)

DIALÉTICA: 1. Método (atividade pensante do sujeito) da divisão; 2. Método do provável; 3. Lógica (ciência da demonstração e do saber demonstrativo); 4. Síntese dos opostos (nesse sentido ela é um modo de pensamento que reconhece, integra e trata o contraditório, transgredindo a lógica clássica – Hegel, nesse sentido ela é mais um modo de pensamento do que uma lógica). Método que corresponde ao mecânico e ao atômico faz parte da lógica dedutivo-identitária.

DOMÍNIO LINGUÍSTICO: (1) ” Mesmo sabendo que cada sistema vivo é determinado a partir de sua estrutura interna, é importante entender que quando um sistema está em acoplamento com outro, num dado momento dessa inter-relação a conduta de um é sempre fonte de respostas compensatórias por parte do outro. Trata-se, pois, de eventos transacionais e recorrentes. Sempre que um sistema influencia outro, este passa por uma mudança de estrutura, por uma deformação. Ao replicar, o influenciado dá ao primeiro uma interpretação de como percebeu essa deformação. Estabelece-se, portanto, um diálogo. Por outras palavras, forma-se um contexto consensual, no qual os organismos acoplados interagem. Esse interagir é um domínio lingüístico.” (MARIOTTI, Humberto – Autopoiesis, cultura e sociedade. www.pluriversu.org <http://www.pluriversu.org>. Acesso em 22.03.2003)

(2) Paradigmas e saberes exigem palavras e conceitos, cujos significados sejam compartilhados pela comunidade de praticantes. Assim a noção de domínio lingüístico, conforme proposto por Maturana e Varela, é imprescindível para o entendimento destes argumentos. Um domínio lingüístico é um espaço não material de representação da realidade, no qual os praticantes deste domínio não possuem dificuldades de entendimento ao utilizarem determinadas palavras e seus respectivos conceitos. Paradigmas, saberes e seus respectivos domínios lingüísticos constituem a episteme de um pesquisador, os fundamentos de sua cognição científica. As referências básicas para o termo “domínio lingüístico” são Habermas, com sua Teoria da Ação Comunicativa e Maturana, com a sua Biologia do Conhecimento. Domínio lingüístico significa o espaço não material de significações semelhantes de uma mesma realidade, compartilhado consensualmente por um conjunto de pessoas. As noções de paradigma e de universo disciplinar ficam mais esclarecidas quando associadas a seus respectivos. 
 (SILVA, Daniel José. O paradigma transdisciplinar: uma perspectiva metodológica para a pesquisa ambiental. www.cetrans.futuro.usp.br/textos <http://www.cetrans.futuro.usp.br/textos> Acesso em 26.03.2003)

DHARMA  Ação justa e correta. Virtude.  O sagrado dever.

DHARMAKSHETRA O plano sagrado.

DISCIPLINA: “Uma disciplina é um campo do saber que se define pelos níveis de realidade que resistem às representações”. “As disciplinas acadêmicas estudam fragmentos de níveis de Realidade. Há várias disciplinas associadas a um único nível de Realidade. As disciplinas acadêmicas estão conectadas exclusivamente ao Objeto (…). Baseadas no modelo mecanicista da ciência clássica, elas correspondem a um conhecimento in vitro : o conhecimento disciplinar (…). Elas são fortemente orientadas para a dominação do mundo exterior. Por definição, essas disciplinas são supostamente neutras, isto é, seu estudo tem que ser realizado de uma maneira independente de qualquer sistema de valores. Porém, (…) todos estes aspectos são de fato ad hoc, artificiais e ilusórios, pois o Objeto está sempre interagindo com o Sujeito, através do terceiro incluído, o termo de Interação. O conhecimento pleno é um novo tipo de conhecimento – o conhecimento transdisciplinar, que corresponde a um conhecimento in vivo. Esse novo conhecimento é, na verdade, o conhecimento do terceiro. Por definição o conhecimento transdisciplinar  inclui um sistema de valores. É importante ressaltar que o conhecimento disciplinar e o conhecimento transdisciplinar não são antagônicos, mas complementares. A metodologia de ambos está fundada na atitude científica. [E devem ser articulados]”. (B.Nicolescu – op.cit. p.57-58)

DHRITARASHTRA:  O rei cego que representa a mente cega. (in Bhagavad Gita ou a “Canção do Espírito”)

DOSSIÊ: Sobre o dossiê em um projeto: ” O projeto permite aos estudantes, a partir do índice final, organizar uma coordenação das atividades que se desenrolaram durante seu desenvolvimento. ..Por isso a recapitulação final tem razão de ser não só como agrupamento do estudado, mas sim como percurso ordenado ..em função dos diferentes as aspectos da informação trabalhados e dos procedimentos que se tenham utilizado para isso. Por essa razão a ordenação e apresentação final de todos os materiais reunidos ao longo do Projeto vai além da intenção de uni-los e cobri-los com uma fachada para ostentar ante as famílias. Em nosso caso, tem outra dimensão, pois constitui o primeiro componente da avaliação formativa do Projeto.”
 (Ventura e Hernandez. A organização dos currículos por projetos de trabalho. 1998)

DRONA  Mestre dos  Pandavas e dos Kurus, pois os filhos das duas famílias foram educados  juntas.

Duryodhana  Filho do rei cego que representa o governante fraco que tira dos Pandavas o  trono e os manda para o exílio.  (in Bhagavad Gita ou a “Canção do Espírito”)

EPISTEME: Palavra de origem grega que significa conhecimento, podendo ser utilizada para significar: modo de conhecimento, maneira de conduzir uma pesquisa científica. (1). “Na filosofia grega, em especial no platonismo, o conhecimento verdadeiro, de natureza científica, em oposição à opinião infundada ou irrefletida. (2.) no pensamento de Foucault (1926-1984) o paradigma geral segundo o qual se estruturam em uma determinada época os múltiplos saberes científicos, que por esta razão compartilham, a despeito de suas especificidades e diferentes objetos, determinadas formas ou características gerais. (O surgimento de um nova episteme estabelece uma drástica ruptura epistemológica que abole a totalidade dos métodos e pressupostos cognitivos anteriores o que implica uma concepção fragmentaria e não evolucionista da historia de ciência.) 
          (Houaiss. 2001.p. 1180)

EMERGÊNCIA DO SUJEITO: É a realidade do sujeito, sua realidade identitária, a emergência do seu si mesmo. Ela vai acontecendo na medida que as dimensões: fenomenológicas, lógicas e ontológicas do conhecimento de si nos diferentes Níveis de Realidade são acessadas e que a partir deste contato um processo perceptivo,  reflexivo e transformativo vai se dando.  Assim, vivência – percepção – reflexão – entendimento – conhecimento – transformação  desenham este encadeamento. Trata-se aqui de um a busca identitária, complexa e que é concebida como uma interação entre o fora e o dentro, o aparente e o oculto, a verdade objetiva e a verdade pessoal, a racionalidade e a imaginação. [Ref.: a Patrick Paul no livro Formação do Sujeito e TD. 2009]

ENVAGINAÇÃO: É o retorno ao essencial das coisas, é se voltar para a natureza das coisas que são feitas de interdependência, correspondência e conivência aos muitos sim que dizemos a uma existência que mesmo finita é digna de ser vivida. A envaginação acontece como as coisas se dão na natureza. Na envaginação há uma aceitação do que é, aceitação essa que é uma atitude afirmativa que se acomoda a tudo que a constitui em sua realidade múltipla. É a aceitação do claro-escuro da existência onde se troca a perfeição pela completude. O Progresso dá lugar ao progressivo, onde há aceitação plena mesmo das imperfeições, das idas e vindas, das voltas e reviravoltas, dos labirintos e dos corredores mal iluminados e tendo como forma de progressão a espiral.

Nessa nova morada, o sentido não é mais a flecha que se projeta, que tudo corta, quebra e separa (faculdade da Razão); nem o círculo que fecha, envolve e repete o mesmo (faculdade da Intuição/ Imaginação); mas a espiral com seu enraizamento dinâmico que opera em níveis e cuja forma de sucessão é sempre um retorno em outra dimensão (faculdade: Razão e Imaginação= Razão Sensível, indo até o Mundo Imaginal). O movimento se dá como Retomada – Distorção – Cura/Cuidado. [Ref.: a Michel Maffesoli no livro Matrimonium – Petit traité d’ecosophie, 2010]

ESTRUTURA veja ORGANIZAÇÃO

FENOMENOLOGIA I: (1) conjunto de fenômenos associados a uma classe de unidades (Varela/Maturana); (2) descrição daquilo que aparece ou ciência que tem como objetivo ou projeto essa descrição; (3) [De fenômeno + -logia; al. Phänomenologie.] S. f. Filos. 1. Estudo descritivo de um fenômeno ou de um conjunto de fenômenos em que estes se definem quer por oposição às leis abstratas e fixas que os ordenam, quer por oposição às realidades de que seriam a manifestação. 2. Sistema de Edmund Husserl (1859-1938), filósofo alemão, e de seus seguidores, caracterizado principalmente pela abordagem dos problemas filosóficos segundo um método que busca a volta “às coisas mesmas”, numa tentativa de reencontrar a verdade nos dados originários da experiência, entendida esta como a intuição das essências. (Aurélio Buarque. Dicionário da Língua Portuguesa) (3.) Descrição dos fenômenos. Segundo Husserl, método filosófico que se propõe, através da descrição das próprias coisas, fora de toda construção conceitual, descobrir as estruturas transcendentes da consciência e das essências. Entretanto, para trazer à luz o princípio de toda realidade, a partir do método fenomenológico, não se trata de ficar apenas numa descrição das aparências, dos acontecimentos, mas de buscar estabelecer os princípios explicativos suscetíveis de trazer à luz a significação dos fenômenos descritos. (Verrier, Christian. Glossaire ); (4) Para Husserl, o fenômeno é antes aparição que aparência, ele é manifestação plena de sentido, e toda filosofia consiste em elucidar esse sentido. (…) [Ele vê] em todo conhecimento a atividade de um sujeito pensante, de um sujeito transcendental. (ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2000. p.438); (5) Descrição daquilo que aparece (essência ou fatos) ou ciência que tem com objetivo ou projeto essa descrição.

FENOMENOLOGIA II: O que é a fenomenologia? Pode parecer estranho que ainda se precise colocar essa questão meio século depois dos primeiros trabalhos de Husserl (1859-1938). Todavia, ela está longe de estar resolvida. A fenomenologia é o estudo das essências, e todos os problemas, segundo ela, resumem-se em definir essências: a essência da percepção, a essência da consciência, por exemplo.  Mas a fenomenologia é também uma filosofia que repõe as essências na existência, e não pensa que se possa compreender o homem e o mundo de outra maneira senão a partir de sua “facticidade”. É uma filosofia transcendental que coloca em suspenso, para compreendê-las, as afirmações da atitude natural, mas é também uma filosofia para a qual o mundo está sempre “ali”, antes da reflexão, como uma presença inalienável, e cujo esforço todo consiste em reencontrar este contato ingênuo com o mundo, para dar-lhe enfim um estatuto filosófico. [Ref.: Orelha do livro Fenomenologia da Percepção de Maurice Merleau – Ponty da Martins Fontes, 1999]

FORMAÇÃO: “A formação pode ser definida como a história dos acoplamentos estruturais (ou interações) de um ser com seu meio ambiente físico e social”. (Galvani, 1997, cap. 1). “Ela é a manifestação (morfogênese) e a transformação (metamorfose) das formas que estruturam a pessoa na sua interação com o meio ambiente, ou seja, são essas interações que dão forma à pessoa e é através delas que são construídas as representações que permitem a manifestação de uma visão de mundo”. (Marly Segreto)

FILOGENIA: “Uma filogenia é uma sucessão de formas orgânicas geradas sequencialmente por relações reprodutivas. As mudanças experimentadas ao longo da filogenia constituem a alteração filogenética ou evolutiva.”
(MATURANA, Humberto R., VARELA, Francisco. A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. São Paulo: Palas Athena, 2001. p.117)

GESTO: Para G. Durand, o imaginário antropológico se estrutura sob a forma de gestos fundamentais que caracterizam o humano: dominantes postural, copulativa e digestiva. As formas simbólicas são significantes por sua homologia com as formas vitais de nossa interação com o meio ambiente: respirar, ficar em pé e ver, engolir e entender, se reproduzir, gestos carregados de sentido que designam um mais de humanidade.
HERMENÊUTICA: reflexão filosófica sobre os símbolos religiosos, os mitos e, em geral, toda forma de expressão humana (sobre o sentido da emoção, o de uma obra de arte, etc.). A hermenêutica dos fenômenos humanos, que requerem uma interpretação e uma compreensão, opõe-se à análise objetiva dos fenômenos da natureza. (Verrier, Christian. Glossaire. www.barbier-rd.nom.fr <http://www.barbier-rd.nom.fr>)

HERMENÊUTICA INSTAURATIVA: Em seu livro “Quête de sens et formation – anthropologie du blason et de l?autoformation”, p. 64, Galvani diz : Os encontros de brasões ou de histórias de vida têm por objetivo a exploração e atualização do sentido da formação. Trata-se de uma exploração pessoal e/ou coletiva da busca de sentido existencial que reveste toda formação. Nem o “formador”, nem nenhum dos participantes pode, portanto, ser detentor de um sentido a ser transmitido ou aplicado às produções de cada um. Trata-se, sobretudo, para cada um, de descobrir as significações que toma a formação para si mesmo. Nessa perspectiva bio-cognitiva, não há análise interpretativa das produções de cada um, por ninguém ou pelo grupo, que tente, do exterior, destacar o sentido em lugar do outro. Esse tipo de interpretação desenvolvida pelas terapias psicológicas ou psicanalíticas é qualificada por Durand de hermenêutica redutora ou arqueológica, no sentido em que ela reduz o símbolo a uma causa dos acontecimentos da história pessoal (Durand, 1994,p.109 sq.). Ao contrário, é a hermenêutica instaurativa que se aplica em explorar o leque de significações que sugere o símbolo, segundo o método de convergência. Essa perspectiva, que posiciona a antropologia do imaginário numa perspectiva muito diferente daquela da psicanálise, é também mais coerente com a perspectiva da formação. Podemos rapidamente dizer que, se a finalidade da psicanálise implica uma arqueologia do símbolo para curar um sofrimento através da tomada de consciência de suas fontes inconscientes, a formação, ao contrário, tem por objetivo a busca e a produção de sentido que implica uma hermenêutica instaurativa. A análise coletiva dos brasões ou das histórias de vida é, portanto, uma colocação em comum, uma exploração coletiva das significações, que cada participante descobre por si mesmo em suas produções ou nas dos outros. No momento da contratualização, o princípio da hermenêutica instaurativa deve ser explicitado. É fácil ilustrá-la particularizando os tipos de intervenção que ela define. Podemos qualificar de hermenêutica instaurativa as intervenções em primeira pessoa do tipo: «Vendo esse símbolo de seu brasão isso me evocou tal imagem…», «Quando você disse que… eu fui remetido a tal sentimento…», «Para mim esse símbolo evoca…». Enquanto que as intervenções em segunda pessoa do tipo «Você disse isso por que…», «Você tem razão (ou não) quando diz que…», são tentativas de hermenêutica arqueológica ou redutora mais ou menos “selvagens” ou ainda, julgamentos de valor. A hermenêutica instaurativa pode também se desenvolver com intervenções interrogativas levando cada um a especificar melhor o sentido que ele dá a tal ou tal elemento: «Você poderia precisar o que quer dizer com…», «Qual é o sentido dessa imagem para você…» Num encontro de brasões, há o reconhecimento dos imaginários simbólicos pessoais. A compreensão das imagens que nos formam (bildung) se opera no jogo de retorno das hermenêuticas instaurativas pessoais. A descoberta das significações múltiplas que um símbolo gera nos participantes é fundamental. Ao descobrir que as significações pessoais geradas por um símbolo são plurais, sem excluírem umas às outras, cada um faz a experiência ativa da função simbólica. (…) A imaginação se alimenta do desapego do sentido primeiro atribuído a tal imagem, e pode também desenvolver sua própria exploração sem ficar fixada numa primeira interpretação.» 
(GALVANI, Pascal. “Quête de sens et formation – anthropologie du blason et de l?autoformation”, p. 64, tradução livre Marly Segreto)

HEURÍSTICA: que se refere à descoberta. Parte da ciência que tem por objeto a descoberta. Adjetivo aplicado à um método de exploração de um problema no qual a solução é obtida através de avaliações sucessivas sobre hipóteses provisórias e através de comparação com o objetivo à ser atingido. 
(Verrier, Christian. Glossaire. www.barbier-rd.nom.fr <http://www.barbier-rd.nom.fr> )

HOLOGRAMA: “O holograma é uma imagem física concebida por Gabor que, diferentemente das imagens fotográficas e filmícas comuns, é projetado ao espaço em três dimensões, produzindo uma assombrosa sensação de relevo e de cor. O objeto holografado encontra-se substituído, em sua imagem, com uma fidelidade notável. Esse holograma é constituído a partir de uma luz coerente (laser) e de um dispositivo que faz com que cada ponto que constitui essa imagem contenha uma mostra do sistema de linhas de interferência emitidos pelos pontos do objeto holografado. Como afirma Pinson, cada ponto do objeto holografado é “memorizado” por todo o holograma, e cada ponto do holograma contem a presença do objeto em sua totalidade ou quase. Desse modo, a ruptura da imagem holográfica não determina imagens mutiladas, mas imagens completas, que se tornam cada vez menos precisas à medida que se multiplicam . O holograma demonstra, portanto, a realidade física de um tipo assombroso de organização, na qual o todo está na parte que está no todo, e na qual a parte poderia ser mais ou menos apta a recriar o todo. “
(MORIN, Edgar, CIURANA, Emílio-Roger, MOTTA, Raul Domingo. Educar na era planetária: o pensamento complexo como método de aprendizagem pelo erro e incerteza humana. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2003. p. 34)

ICONE: (1) é um signo que é determinado por uma dinâmica que se assenta em sua natureza interna. Em si mesmo, ele exibe a mesma qualidade, ou a mesma configuração de qualidade. (ex.: a onomatopéia, os ícones do ambiente virtual). Os ícones podem ser imagens, diagramas ou metáforas. Ele é o nome dado ao signo que representa seu objeto por uma relação de semelhança. O ícone está relacionado com as possibilidades.
(Fonte: Charles Sanders Peirce, filosofo americano (1859-1913). Sua teoria foi redescoberta pela semiologia, pela filosofia, pela fenomenologia e agora pela transdisciplinaridade. )

IMAGEM: (1) Nessa organização imaginária, cabe à imagem, entendida como representação concreta, sensível, de um objeto material ou ideal, presente ou ausente do ponto de vista perceptivo, (Wunenburger:1997), um papel eminentemente mediador e relacional, evidenciando o dinamismo do imaginário.
(Sanchez, Maria Cecília O imaginário como dinamismo organizador e a educação como prática simbólica <http://www.cice.pro.br/textos/cecilia_brasilia.doc>. Acesso em 26.03.03)

(2) Através dos órgãos dos sentidos os objetos se nos apresentam corporalmente, objetivamente e, nas representações internas elaboradas pelo eu, apresentam-se como imagens. Portanto, a imagem deve ser sempre interior e ter sempre uma concepção individual, porém, apesar de individual, a imagem jamais deve ser emancipada da realidade. Soltando-se da realidade, de forma a produzir um mundo objectual novo e particular, estaremos incorrendo no domínio dos delírios e das alucinações. (A representação da realidade – www.psiqweb.med.br/cursos/repres.htm <http://www.psiqweb.med.br/cursos/repres.htm> Acesso em: 26.04.2003)

IMAGINAÇÃO SIMBÓLICA: Com os trabalhos de Gilbert Durand, de J. Piaget e de M. Jousse, a imaginação simbólica será definida como uma gnose, ou seja, um conhecimento íntimo que faz emergir o sujeito no ato cognitivo (…). O símbolo é [então] concebido como um operador semântico produtor de um sentido pessoal, de um “saber-gnose”, onde emergem conjuntamente o sujeito e o objeto conhecido. “A imaginação simbólica é o terceiro incluído de toda representação humana. O modo de representação do símbolo pelo seu caráter transdutivo é, de fato, ao mesmo tempo transpessoal, transdisciplinar e transcultural.” (GALVANI, Pascal. Quête de sens et formation, pg.185 e 42 . Tradução livre Marly Segreto)

IMAGINÁRIO: “Buscar Sentido, encontrar o significado, nos remete à dimensão do simbólico, pois simbolizar significa descobrir o sentido. É própria do ser humano a atitude simbolizadora. Segundo Hollis (1997), os homens apresentam como parte de sua constituição essencial, um processo de natureza estruturante que lhes permite ordenar o caos, estabelecendo um relacionamento significativo com o mundo. Ao impor, através dos mitos, uma estrutura ao caos aparente, o imaginário coloca o homem em relação de significado com o mundo, com o Outro e consigo mesmo. O imaginário é um mapa com o qual lemos o mundo, pois o real é uma construção imaginária. Nessa organização imaginária, cabe à imagem, entendida como representação concreta, sensível, de um objeto material ou ideal, presente ou ausente do ponto de vista perceptivo, (Wunenburger: 1997), um papel eminentemente mediador e relacional, evidenciando o dinamismo do imaginário. (…)As imagens aglutinam-se, no imaginário, em torno de núcleos organizadores da simbolização que são polarizados. Em cada núcleo, ou pólo, há uma força homogeneizante, ordenadora de sentido, que organiza semanticamente as imagens, configurando-as, miticamente, em três estruturas básicas, que gravitam em torno de três esquemas matriciais: heróico (separar), místico (incluir) e sintético (dramatizar). O primeiro põe em ação imagens e temas de luta (do herói contra o monstro, do Bem contra o Mal), o segundo, imagens assimiladoras e confusionais, e o terceiro põe em conjunto imagens divergentes, integrando-as numa ação. Nessa perspectiva, o imaginário não é um simples conjunto de imagens que vagueiam livremente na memória e na imaginação. Ele é uma rede de imagens na qual o sentido é dado na relação entre elas, as quais organizam-se de acordo com uma certa lógica, uma certa estruturação, de modo que a configuração mítica do nosso imaginário depende da forma como arrumamos nele nossas fantasias. É dessa configuração que decorre o nosso poder de melhorar o mundo, recriando-o cotidianamente, pois o imaginário é o denominador fundamental de todas as criações do pensamento humano (Durand, 1997). Nesse sentido, o imaginário é um dinamismo equilibrador que se apresenta como a tensão entre duas “forças de coesão” de dois “regimes” – o diurno e o noturno – 6, cada um relacionando as imagens em dois universos antagonistas (o heróico e o místico); estes se acomodam, no estado médio e normal da atividade psíquica, em um outro universo – o dramático. Neste, as imagens antagonistas conservam a sua individualidade, a sua potencialidade e só se reúnem no tempo, na linha narrativa, num sistema, e não propriamente numa síntese (Durand, 1988). (VEJA MAIS IN: TEIXEIRA, Maria Cecília Sanchez. O imaginário como dinamismo organizador e a educação como prática simbólica <http://www.cice.pro.br/textos/cecilia_brasilia.doc>. Acesso em:  26.03.03)

IMPLEXIDADE: “(…) Assim, o sentido do sentido pode ser visto como um círculo de círculo no coração da autoformação nos sistemas autopoiéticos, portanto, de nós mesmos. Essa implicação de nós mesmos no problema e seu tratamento é um dos círculos da complexidade a ser levado em conta. Ela constrói uma complexidade específica que foi denominada “implexidade”(Le Grand, J.L., 1998). A implexidade é uma complexidade implicante ou uma implicação complexa na qual objeto e sujeito, observado e observador estão ligados. Distender, desdobrar essa implexidade sem rompe-la para criar um espaço de tratamento é um dos desafios metodológicos da abordagem transdisciplinar. E?para isso que vai servir essa matriz do sentido do sentido. A utilizaremos para desdobrar essa implexidade e fazer dela um mapa de exploração.”
( PINEAU, Gaston. O sentido do sentido. In: Educação e Transdisciplinaridade I. Brasília: UNESCO, 2000. p.40-41)

ÍNDICE: é um signo que é determinado por uma dinâmica que se assenta na relação: a mesma dinâmica que ele tem consigo mesmo, continua, de alguma forma, no objeto denotado (sintoma de uma doença – a doença; a fumaça – fogo, a biruta do aereporto – a direção que o vento sopra). Os nomes eu, tu, aqui, agora, são todos indiciais. O índice, não é uma metáfora, ele é mais uma metonímia, ou seja, uma ampliação do âmbito da significação, ex.: ouro se amplia para a idéia de dinheiro, isto é, o uso do nome de algo no lugar, por outra a qual ela está associada ou que a sugere. Outro exemplo: O palácio da Alvorada falou, referindo-se ao que FHC disse. Ele é o nome dado ao signo que se liga a seu objeto ou uma relação de fato, existencial. O índice está relacionado com a concretude. 
(Fonte: Charles Sanders Peirce, filósofo americano (1859-1913). Sua teoria foi redescoberta pela semiologia, pela filosofia, pela fenomenologia e agora, pela transdisciplinaridade)

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KRISHNA  O Krishna histórico é um misterioso personagem que encerra uma série de metáforas  e mitos. Foi divinamente concebido e teve uma missão ordenada pela Divindade. Nasceu na prisão  onde seus pais – Vasudeva e Devaki – estavam por ordem de um tio que tinha usurpado o trono que por direito era de seu pai.  Era descendente da dinastia  de  Vrishni. Foi salvo por milagre e foi criado por um pastor de gado. Era um ser iluminado que manifestava um estado de consciência superior  que encarnava a consciência da Divindade onipresente na Criação. Como representante da consciência universal, sua luz própria     iluminava o mundo inteiro.   Ele foi o mediador na guerra entre os Pandavas e os Kurus e o mestre e o conselheiro do guerreiro Arjuna (Pandavas). Segundo a Mitologia Hindú,  Krishna foi uma das encarnações do deus Vishnu e teve como missão restaurar a ordem no mundo durante o período que viveu na terra.

KURUKSHETRA  O campo onde os fatos desta história ocorre. (in Bhagavad Gita ou a “Canção do Espírito”)

KURUS   Os filhos de Dhritarashtra: os impulsos mentais fracos e a dominação pelos  sentidos.

 

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MAPA CONCEITUAL: “Esa técnica fue desarrollada por el Profesor Joseph D. Novak de la Universidad de Cornell en 1960. Su trabajo se basa en las ideas de Ausbel (1988), quien da importancia al aprendizaje significativo incluyendo la asimilación de nuevos conceptos mediante estructuras cognoscitivas, Son una técnica de aprendizaje cuya función es ayudar a la comprensión de los conocimientos que el alumno tiene que aprender y a relacionarlos entre sí o con otros que ya posee. Los mapas conceptuales son herramientas útiles que ayudan al estudiante a aprender acerca de la estructura del conocimiento y los procesos de construcción del pensamiento. De esta manera los mapas ayudan al estudiante a “aprender sobre cómo aprender” y a exteriorizar lo que aprendió. Los investigadores cercanos a J.D. Novack mediante un programa denominado Aprender a Aprender, en el que se pretende liberar el potencial de aprendizaje de los seres humanos que permanecen sin desarrollar y de ahí que se inicia un movimiento en busca de estrategias pedagógicas que favorezcan la práctica educativa… Los mapas conceptuales tienen por objeto representar relaciones significativas entre conceptos en forma de proposiciones. Una proposición consta de dos o más términos conceptuales unidos por palabras para formar una unidad semántica. La estrategia de los mapas conceptuales fue creada con la intención de orientar e impulsar un aprendizaje por medio de un material educativo. Estos se muestran como una excelente herramienta que facilita los procesos de abstracción y relación entre conceptos. La realización de éstos conlleva estrategias y permite organizar la información de manera jerarquizada, en un diseño estructural de conceptos mediante la construcción de esquemas. En estos mapas se recopilan unidades de información y se utilizan como textos icónicos, así mismo funcionan como marco perceptivo de toda una información. El mapa alude a una interioridad mental y consiste en un dispositivo que orienta nuestra navegación por el aprendizaje. Este se puede utilizar como un cúmulo de información acerca de los medios expresivos implicados en una obra. En estos mapas puede expresarse y sintetizarse gráficamente el recorrido de un edificio, de los elementos que lo integran, así como el lenguaje y conceptos o ideas utilizados. El mapa conceptual funciona como una herramienta que sintetiza y resume los datos que percibimos de un entorno. Dentro de estos mapas, las imágenes se van empalmando y configurando en una sucesión que provoca un esquema total.” (<http://www.architecthum.edu.mx/Architecthumtemp/glosario/subir> Acesso em 31 .08.04)

MATRIZ: “matriz é tomado no sentido onde algo se gera ou cria,” Lucia Santaella se refere as matrizes das linguagens, “menos abstratas do que as classes de signos” em Charles Peirce, pois elas “já apontam para os campos da manifestação” (Santaella: 2001:30). “As matrizes porque “há raízes lógicas e cognitivas específicas que determinam a constituição do verbal, do visual, do sonoro e de toda variedade de processos sígnicos que eles geram” (Santaella. p.29). Como se da à passagem deste nível lógico e cognitivo latente para o nível da manifestação das mensagens? Resposta: “através das combinações e misturas que se processam entre as várias modalidades em que cada uma dessas matrizes se subdivide. Verbal 9. Visual:9. Sonora: 9 total 27 + subdivisões.”A complexidade do real exige teorias à sua altura”. “As três matrizes da Linguagem e do Pensamento é uma extrapolação das categorias fenomenológicas universais de Peirce, expandidas na sua teoria e classificação dos signos”. (SANTAELLA, Lucia . Matrizes da linguagem e do pensamento. Iluminuras, 2001)

MITO: (1) Mircea  Eliade (Mito e Realidade 1972; 11)” o mito conta uma historia sagrada; ele relata um acontecimento ocorrido no tempo primordial, o tempo fabuloso do ” principio”. Em outros termos , o mito narra como, graças às façanhas dos Entes Sobrenaturais, uma realidade passou a existir, seja uma realidade total, o Cosmo, ou apenas um fragmento: uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento humano, uma instituição. É sempre portanto a narrativa de uma criação: ele relata de que modo algo foi produzido ou começou a ser. O Mito fala apenas do que realmente ocorreu, do que se manifestou plenamente… Em suma os mitos descrevem as diversas , e algumas vezes dramáticas, irrupções do sagrado ( ou do ” sobrenatural”) no mundo. É essa irrupção do sagrado que realmente fundamenta o Mundo e o converte no que é hoje. E mais: é em razão das intervenções dos Entes Sobrenaturais que o homem é o que é hoje, um ser mortal, sexuado e cultural.” O mito é considerado uma história sagrada e, portanto, uma “história verdadeira”, porque sempre se refere a realidades. O mito cosmogônico é verdadeiro porque a existência do Mundo ai está para prová-lo; o mito da origem da morte é igualmente “verdadeiro” porque é provado pela mortalidade dos homens e assim por diante. (2) A natureza do mito e da consciência mítica provém de uma camada muito profunda da realidade e da própria consciência humana. É por isso que não podemos conceitualizá-lo, defini-lo, objetivá-lo, mas apenas vivê-lo profundamente, diretamente, sem intermediários».(…) “O mito é aquilo em que acreditamos, sem saber que nele acreditamos” (Panikkar). E não deve ser confundido com a fé (que ele permite que se expresse), nem com a crença (articulação da fé). «O mito é aquilo que é evidente, que não precisa ser explicitado, porque o consideramos como adquirido, escapando à consciência intelectual. Mais que indizível e impensável, ele seria não-dito (pois não é dizível) e não pensado (porque não pensável). Ele é “(…) o que faz ver, mas não pode ser visto. Como a luz” (Pannikar). Derradeiro horizonte da inteligibilidade, ele se encontra “(…) na origem do pensamento, não no sentido de fornecer o alimento para o pensamento, mas no sentido de purificar o pensamento, contorná-lo, ou melhor, atravessá-lo, para que o não-pensado emerja e que o intermediário desapareça” (Pannikar). Ele dirige o nosso pensamento e nossa ação para determinada direção, levando-nos a escolher um caminho e não outro». Se seguirmos o mito do logos e da história, orientaremos a nossa ação para «as definições e para os projetos nesta vida ou na outra. O mito do círculo (…) o orientará a encontrar o seu lugar no círculo da vida …(Vachon). «A linguagem do mito articula-se sobre o relato mítico, mas também sobre o símbolo (instrumento do mito), a fé (veículo do mito), as crenças (articulação da fé), o rito/culto (o mito em ação, expressão do mito).Cada cultura e também cada civilização, repousa e fundamenta-se em mitos próprios que não são redutíveis uns aos outros, o que não impede que possam existir semelhanças». 
(COLL, Agustí Nicolau. As culturas não são disciplinas: existe o transcultural? In: Educação e transdisciplinaridade II. São Paulo: TRIOM, 2002.)

MORFOGÊNESE: “BIO desenvolvimento das formas e estruturas características de uma espécie a partir do embrião; morfogenia. ETM. Morf (o) + gênese.” Ao processo permanente morfogênese, agrega a metamorfose.
(Houaiss 2001:1961)

MINDFULNESS/ATENÇÃO PLENA: Esta presença inalienável nem sempre é percebida. Isso porque, sem nos darmos conta, vivemos em um estado de MINDLESSNESS/AUSÊNCIA DE ATENÇÃO PLENA, um estado mental no qual a mente gera um constante rodopiar de comentários e julgamentos que criam uma barreira de palavras e imagens que separa a pessoa de sua vida. Esta condição torna difícil sermos mindfull/atento plenamente às experiências da vida. [Ref.: Mindfulness – de Mark W Muesse, 2011].  Cultivar  Mindfulness/Atenção plena é um processo de atentamente observar uma experiência enquanto ela se desvela tornando-nos cientes dela momento a momento; ela é destituída de um constante comparar e acessar daquilo que ocupa nosso funcionamento mental.  (Mindfulness – de Mark W Muesse). É neste estado de mindfulness que as essências se desvelam e nos conferem o prazer de ser.

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ONTOGENIA: (1) História de transformações de uma unidade, como resultado de uma história de interações, a partir de sua estrutura inicial. (MATURANA, Humberto R., VARELA, Francisco. A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. São Paulo: Palas Athena, 2001. glossário)

ONTOLOGIA: Parte da filosofia que trata do ser concebido como tendo uma natureza comum que é inerente a todos e cada um dos seres.

ONTONOMIA: (1) o conceito de ontonomia (a ordem do ser) foi forjado por Raimon Pannikar, filósofo das religiões: uma ordem interna que diz respeito a toda a realidade em sua solidariedade não dualista entre todos os domínios e todos os reinos ou campos da realidade. O campo da ciência não é autônomo; ele é ontônomo. (AUTORES diversos. O homem do futuro: um ser em construção. São Paulo: TRIOM, 2001. p. 255) 
(2) estrutura do real, do ser e de seu modo que se baseia em princípios relacionais, sendo preservada a identidade própria. (Maria F. Mello)

ORGANIZAÇÃO e ESTRUTURA: “Entende-se por organização as relações que devem ocorrer entre os componentes de algo para que seja possível reconhecê-lo como membro de uma classe específica. Entende-se por estrutura de algo os componentes e relações que constituem concretamente uma unidade particular e configuram sua organização. Assim, por exemplo, numa descarga de banheiro a organização do sistema de regulação do nível de água consiste nas relações entre um aparelho capaz de detectá-lo e outro mecanismo capaz de cortar o fluxo de entrada do líquido. No banheiro de uma casa, essa espécie de artefato se configura por meio de um sistema misto de plástico e metal, que consiste numa bóia e numa válvula de passagem. Mas esta estrutura específica poderia ser modificada, substituindo-se o plástico por madeira sem alterar o fato de que ela continuaria sendo uma descarga.” (MATURANA, Humberto R., VARELA, Francisco. A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. São Paulo: Palas Athena, 2001. p.54)

PANDAVAS  Os filhos de Pandu que representam as tendências discriminativas puras. São  5 em ordem ascendente:

  • Sahadeva  Poder de se manter longe do mal. Aquele que resiste ao mal, tenacidade pela qual os sentidos são controlados;
  • Nakula  Aderência,  poder de obedecer às boas regras;
  • Arjuna  Autocontrole, o elemento vibratório do fogo que representa a força do fogo do mental e do físico; aquele que reforça os bons hábitos e ações; aquele que treina o hábito o que leva à purificação do corpo e da mente e torna a meditação profunda possível;
  • Bhima  Poder da vitalidade, força para controlar a alma e a vibração criativa do ar;
  • Yudhisthira  A calma divina e a criatividade vibratória do elemento ar; o rei das faculdades discriminativas e a calma é a principal qualidade para o discernimento.

PANDU:  Vem da palavra pand que significa branco, simbolizando a claridade do puro intelecto discriminativo.

POLARIDADE: “O pólo é um conceito eletromagnético que implica mais uma dinâmica de orientação de forças do que uma estática de direção de espaço. Semanticamente essa noção carrega um sentido dinâmico. Polaridade significa homogeneização de pólos atratores num campo heterogêneo. A homogeneização dos pólos é subentendida por uma heterogeneidade constitutiva do campo, ou seja, a homogeneidade dos pólos se separa e se desvia da heterogeneidade do campo. Polaridade significa, portanto, homogeneização de pólos atratores num campo heterogêneo. A noção de polaridade coloca em evidência o caráter dinâmico de toda estrutura e de toda organização, cujas relações são sempre polares. Em última instância, é o dinamismo que garante a interação entre os elementos de um sistema e, portanto, a sua organizacionalidade. Segundo Durand (1980), epistemologicamente, a polaridade impede que se atribua a um ou outro pólo o papel hegemônico de fator dominante, garantindo um equilíbrio entre os pólos, que só podem ser concebidos em pares de valores diferentes e antagonistas, de tal modo que as relações polares são sempre instáveis e tensionadas, produzindo um dinamismo organizador. É a tensão entre os pólos que garante a polaridade. A supressão da tensão antagonista produz uma monopolização homogeneizante de um dos pólos, provocando uma despolarização do outro. Em outras palavras, provoca a ruptura da tensão antagonista em proveito de um dos pólos.”
(TEIXEIRA, Maria Cecília Sanchez. O imaginário como dinamismo organizador e a educação como prática simbólica <http://www.cice.pro.br/textos/cecilia_brasilia.doc>. Acesso em 26.03.03)

PRAGMÁTICA: a máxima pragmática, segundo Peirce, é a seguinte: “Todo o sentido símbolo consiste na totalidade de todos os modos gerais da conduta racional que, condicionando todas as possíveis circuntâncias e desejos, seguir-se-iam à sua aceitação” (CP. 5438). Conjunto de investigações que têm como objeto a relação dos signos com os objetos, ou seja, a situação em que o signo é usado.
(Fonte: Charles Sanders Peirce, filosofo americano (1859-1913). Sua teoria foi redescoberta pela semiologia, pela filosofia, pela fenomenologia e agora pela transdisciplinaridade)

PRÁTICAS SOCIAIS: “Ora, como a cultura é o universo das mediações simbólicas, no qual são tecidas as teias de significados, é a ela que cabe a função de organizar os grupos. Isto se faz por meio das práticas sociais que são, nessa perspectiva, práticas simbólico-organizacionais. Elas são simbólicas porque mediadas pela imagem. São manifestações de um universo imaginário numa práxis, através de um sistema sociocultural e de suas instituições (Paula Carvalho, 1991). Sua função é organizar a socialidade dos grupos, na medida em que criam vínculos de solidariedade e de contato. São elas que criam as redes de significados.
(TEIXEIRA, Maria Cecília Sanchez. O imaginário como dinamismo organizador e a educação como prática simbólica <http://www.cice.pro.br/textos/cecilia_brasilia.doc>. Acesso em 26.03.03)

PRÁXIS: em grego significa “ação”. Na terminologia marxista designa o conjunto de relações de produção e trabalho, que constituem a estrutura social, e a ação transformadora que a revolução deve exercer sobre tais relações. Para Engels, isso implica em inserir-sena relação de produção e trabalho e transformá-las ativamente.

PROJETO: Consideremos o seguinte: 1. A elaboração de Projetos de ação e Planificação dá-se no campo de renovação das práticas sócias. 2. Nós vivemos em civilização de projetos. 3. A elaboração de um projeto de ação é produzir uma representação. “Se um projeto pode ser descrito como a idéia de uma possível transformação de REAL., a realização da AÇÃO pode ser definida como o processo de transformação do próprio real.” (Jean Marie Barbier) Os projetos apresentam todos os caracteres das representações. Aqui é importante diferenciar planificação de ação. As práticas de elaboração dos projetos são experiências que se situam no campo dos fenômenos mentais e intelectuais, tendo como suporte estados de consciência. As práticas de elaboração de projetos de ação e planificação tem como produto REPRESENTAÇÕES, isto é: ” realidades que têm a característica de se reportarem elas próprias a outros objetos sendo simultaneamente dotadas de uma existência independente deste últimos podendo portanto aparecer e desenvolver-se na sua ausência ( daí o prefixo re-presentação) (BARBIER, Jean Marie . Elaboração de projetos de ação e planificação. Lisboa:Porto,s.d )

PRÓPRIO: Onde estou co-presente na propriedade das coisas? Como as coisas desaparecem e eu apareço para mim mesmo, como o mais próprio? Temos duas modalidades: a propriedade e a impropriedade. Quando estamos no mundo, transitamos na cotidianiadade, estamos regidos pelo que nos aparece que é o mais distante do si-mesmo mais próprio, mais original. Nos desapropriamos de nós mesmos a maior parte do tempo pois estamos mergulhados no fazer cotidiano e nos esquecemos da vida que é mais do que isso. Heidegger nos fala de estados de ânimo quando a propriedade pode nos acenar: a angústia, a consciência da finitude, a obra de arte e a maternidade – estas são possibilidades que nos arrancam das coisas, do cotidiano, das preocupações e nos colocam frente a nós mesmos: nos colocam diante da liberdade de escolha de sermos mais próprios, mais autênticos. [Heidegger]

 

QUANTUM: a menor e indivisível quantidade de energia de uma grandeza física, que só pode variar como múltiplo desse valor mínimo. O campo dos quanta (Plural lat. de quantum) é racionalmente (matematicamente) compreensível, mas contrariamente ao universo newtoniano, não pode ser visualizado.

REALIDADE: Ao tratar da abordagem transdisciplinar da natureza e do conhecimento, B. Nicolescu diz: “Aqui, o significado que damos à palavra “realidade” é, ao mesmo tempo, pragmática e ontológica. Entendemos por “Realidade” (com R maiúsculo) primeiramente aquilo que resiste às nossas experiências, representações, descrições, imagens e mesmo às formulações matemáticas. Considerando que a Natureza participa no ser do mundo, temos que dar uma dimensão ontológica ao conceito de Realidade. Realidade não é uma mera construção social, o consenso de uma coletividade ou algum acordo intersubjetivo. Também tem uma dimensão trans-subjetiva. Exemplo: dados experimentais podem arruinar a mais bela teoria científica. Claro que temos que distinguir as palavras “Real” e “Realidade”. Real designa aquilo que é, enquanto Realidade diz respeito à resistência na nossa experiência humana. Por definição, o “Real” está velado para sempre; enquanto a “Realidade” é acessível ao nosso conhecimento”. (op.cit. p. 48)

REALISMO: afirma que em todo conhecimento verdadeiro a representação do objeto coincide com a própria natureza do mesmo e não está fundada num conceito, mas o próprio conceito se forma pelas impressões que são deixadas no nosso aparelho cognitivo. Os realistas consideram que as formas não existem fora das suas encarnações físicas e só as conhecemos através dos cinco sentidos. Para os realistas as formas não existem fora da existência concreta e é o espírito humano que consegue abstraí-las.

Aristóteles (384−322 a.C), discípulo dissidente de Platão, foi um dos principais representantes dessa visão. Ele acreditava que existe um só mundo – o mundo real –  que podemos conhecê-lo através da experiência e reflexão. Podemos então conhecer o mundo pela sensação que nos informa a partir do mundo exterior e a consciência que nos informa  a partir do mundo interior. Principais representantes desta visão: empiristas como Locke (1632-1704), Hume (1711−1776) ou Russell (1872-1970); os materialistas como Diderot (1713-1784), Marx (1818-1883) ou Bunge (1919 -), e muitos cientistas contemporâneos fazem parte desta corrente.

RECURSIVIDADE: Um processo recursivo é aquele cujos produtos são necessários para a própria produção do processo. É uma dinâmica autoprodutiva e auto-organizacional. A idéia de circuito recursivo é mais complexa e rica que a de circuito retroativo, é uma idéia primordial para se conceber a auto-produção e a auto-organização. “É um processo no qual os efeitos e os produtos são, simultaneamente, causadores e produtores do próprio processo, no qual os estados finais são necessários para a geração dos estados iniciais.” (MORIN, Edgar, CIURANA, Emílio-Roger, MOTTA, Raul Domingo. Educar na era planetária: o pensamento complexo como método de aprendizagem pelo erro e incerteza humana. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2003. p. 35)

RECURSIVO: Recorrente; o que se volta sobre si mesmo 
(MATURANA, Humberto R., VARELA, Francisco. A árvore do conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. São Paulo: Palas Athena, 2001. Glossário)

REFLEXÃO: “(…) a reflexão não é nem filosófica, nem não filosófica, é a aptidão mais rica do pensamento, o momento em que este é capaz de autoconsiderar-se, de meta-sistematizar-se. O pensamento é capaz de transformar as condições de pensamento, ou seja, de superar uma alternativa insuperável, não evitando-a, mas situando-a num contexto mais rico no qual cede lugar a uma nova alternativa, a aptidão de envolver e articular um anti e um meta. Permite resistir à dissociação gerada pela contradição e pelo antagonismo, dissociação que evidentemente não suprime a contradição. O pensamento possibilita a integração da contradição num conjunto, em que possa continuar fermentando, sem perder sua potencialidade destrutiva e até sua potencialidade construtiva.”
(MORIN, Edgar, CIURANA, Emílio-Roger, MOTTA, Raul Domingo. Educar na era planetária: o pensamento complexo como método de aprendizagem pelo erro e incerteza humana. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2003. p. 33)

REGIMES DIURNO E NOTURNO: “Pelos termos «diurno» e «noturno» nós acompanhamos os passos de Gilbert Durand que, considerando as convergências da reflexologia, da tecnologia e da sociologia, discerne dois «Regimes» do simbolismo, um «diurno» e o outro «noturno» desdobrando-se numa tripartição funcional. O 1º concerne à dominante ativa, o segundo à dominante passiva ou receptiva. A antítese, o dualismo da luz e das trevas, define o regime diurno, caracterizando as estruturas esquizomorfas do imaginário. À este regime corresponde o raciocínio analítico que serviu de modelo aos métodos psico-químicos, às demarches científicas e à biologia. A formação médica repousa sobre essa lógica. O regime «noturno» da imagem, inversamente, capta as forças vitais do devir, revirando os valores simbólicos em Eros, noturno e feminóide, sob o signo da conversão, do eufemismo, da analogia, do misticismo, da síntese, subjetivando, de certo modo, em duas funções distintas o que o regime «diurno» pela lógica analítica tenta objetivar. A partes diurna e noturna é reencontrada na educação, se situarmos a formação «em dois tempos e três movimentos (Gaston Pineau)”.

REGIME MÍSTICO: É a fusão do sujeito com o objeto. Caracteriza-se pela interiorização fusional do meio ambiente (Galvani 1997 cap.3.)numa consciência participante que transgride todas as separações do sujeito e do objeto. é um processo de individuação, de dissolução das fragmentações engendradas pela consciência egocêntrica. É a experiência da experiência de Si (Gardet & Lacombe 1981) na mística ou na poesia. É a experiência visionária na criação científica e artística (Random 1991).

REGISTRO DE REPRESENTAÇÃO: O Registro de Representação é um inventário que permite a emergência do posicionamento dos atores sobre uma dada pessoa, um objeto, uma situação, um ambiente ou ação. Sua aplicação tem uma metodologia que abre espaço para a reflexão solitária, a escuta fina, o questionamento, o diálogo respeitoso entre atores e a possibilidade de abordar a diversidade ou a convergência de respostas. Entrar em nossas representações constitui o primeiro passo no ato de aprendência. Explicitar as imagens por vezes visuais, outras auditivas, outras cinéticas pode ser uma alavanca para compreensões, idéias que já “estão lá” se nós as submetemos ao nosso olhar e ao dos outros.Entrar em contato com nossas representações também nos ajuda na pesquisa do sentido, na semeadura de mudanças conceituais que permite que abandonemos uma percepção restrita da realidade para descobrir outros aspectos, outras relações  outra maneiras de ser-agir.A incapacidade de sair de nossos próprios modos de representação é uma forma de violência. Hélène Trocmé Fabre no livro Réinventer le Métier D’Apprendre  que em breve será editado em português pela Editora Triom, tece considerações relevantes sobre o processo de utilizar nossas representações para encorajar a mudança conceitual. (Maria F. de Mello)

REPRESENTAÇÃO: (1) (…) Portanto, já que a concepção da realidade é baseada na experiência subjetiva e, sendo esta capaz de conferir uma natureza altamente pessoal à percepção do mundo e aos pensamentos, então a realidade percebida decorrerá sempre do estado subjetivo do indivíduo. Cada consciência, em particular, integra e totaliza de maneira muito peculiar o seu relacionamento com o mundo. Desta forma, os fatos oferecidos pelo mundo objectual à nossa volta resultarão numa representação única e individual para cada um de nós, e será esta representação que constituirá a realidade particular de cada indivíduo. As representações são construídas pelas imagens dos objetos e dos fenômenos percebidos nas experiências anteriores e evocadas de modo voluntário ou involuntário. São entendidas, as representações, como um ato de conhecimento conseqüente à reativação de uma lembrança ou de uma imagem mnêmica sem necessidade da presença real do objeto correspondente. Para que este conceito (que é também o conceito de cognição) não fique reduzido ao fenômeno da memória, como a grosso modo poderia parecer, podemos comentá-lo mais amiudamente. (…) REPRESENTAÇÃO, transcende significativamente a simples percepção do mundo; é aquilo que o mundo passa a representar para a pessoa depois de nela introjetado ou por ela apreendido. Desta forma, enquanto o caráter da SENSOPERCEPÇÃO é melhor entendido predominantemente a nível do fisiologismo neuro-sensorial, através dos cinco sentidos, a REPRESENTAÇÃO reporta-se predominantemente à subjetividade da realidade, e é revestida de uma tonalidade afetiva particular do indivíduo, portanto, a nível afetivo-psicológico. Uma simples rosa pode ser percebida fisiologicamente através da visão, tato ou olfato, porém, será ricamente representada através do subjetivismo da pessoa. Pode até ser dispensável, nesta representação, a presença física do objeto rosa. Da mesma forma, a palavra mãe, por exemplo, que pode ser percebida pela visão, se for escrita ou pela audição, se for falada, terá sua representação interna tocada pela afetividade e jamais será igual entre as pessoas. (A representação da realidade – 1 (www.psiqweb.med.br/cursos/repres.html <http://www.psiqweb.med.br/cursos/repres.html> Acesso em: 26.03.2003)

(2) Segundo Hélène Bezille, nas ciências sociais em geral e nas disciplinas que dizem respeito à educação e à formação, em particular, podemos nos confrontar com algumas dificuldades no que diz respeito à conceituação. É o caso, entre outros, do conceito de representação, que apresenta “uma dupla dificuldade: por um lado, esse termo pertence tanto à linguagem corrente como à linguagem científica; por outro lado, ele escapa à uma apropriação exclusiva por uma disciplina”. Para a autora, o uso corrente do conceito de representação pode nos fornecer pistas que nos auxiliem no estabelecimento de ligações com o seu uso nas ciências sociais. …Na linguagem do teatro o termo representação refere-se ao ato de “pôr em cena o seu objeto”, encenar o espetáculo (a mídia estabelece analogias com isto usando termos como: palco dos acontecimentos e atores envolvidos, por exemplo). As ciências sociais ao adotarem a metáfora teatral realçam a duplicidade do sujeito que, por um lado aceita submeter-se às regras do jogo (práticas sociais), e, por outro lado, procura preservar o seu espaço privado nos bastidores. Bezille acrescenta uma terceira dimensão à concepção de ator que é a sua dimensão criativa: o seu poder de ação, de influência sobre o curso dos acontecimentos, sua responsabilidade e implicação nos problemas sociais (enfatiza a importância dessa metáfora no imaginário social e do seu potencial heurístico). 
(Hélène Bezille [pesquisadora do CIRET – Centre de Recherche sur L? Imaginaire Social et L?Education] in “Les Representations en Question” – Introduction au Dossier “Les Representations Sociales”, Educations, n° 1, 1997: www.barbier-rd.nom.fr/representationHB.html <http://www.barbier-rd.nom.fr/representationHB.html>) [ tradução livre Marly Segreto].

REPRESENTAÇÕES: “Realidade que tem por característica reportar-se a outras realidades, conservando, contudo uma existência independente destas, e podendo, portanto sobreviver e desenvolver-se na sua ausência. Relativamente a essas realidades constitui uma entidade psicológica nova.

REPRESENTAÇÃO FINALIZADA: imagem do real produzida por um ator guiada pelos processos de transformação do meio físico e social em que está inserido. A noção de representação finalizada coincide com a noção de imagem operativa de D. Ochanine. Apresenta nomeadamente tr6es qualidades: a selectividade e o laconismo, a polarização e a deformação social”.

REPRESENTAÇAO FINALIZANTE: imagem do “desejável”, “daquilo que se espera” relativa à ação do ator que se representa e que orienta essa ação, conferindo-lhe sentido e tendo incid6encia sobre o seu desenvolvimento.
(BARBIER, Jean Marie. Elaboração de projetos de ação e planificação. Lisboa:Porto, ed.)

RETRODUÇÃO: veja ABDUÇÃO

RISS /FENDA, RASGO: É um momento único, uma oportunidade, um chamado. É quando o âmbito da ocultação invade o âmbito do existir, isto é, quando algo acontece como um aceno, um brilho que invade desocultando e, a partir desse evento, rearticulamos os fundamentos do Mundo que possíveis para aquele momento. Algo nos atinge – como a obra de arte, por exemplo – e nós vamos sendo afinados para algo que se mostra, sendo levados para o desconhecido, mas que é nosso verdadeiro lugar. É uma copresença na ausência das coisas que suspende o sentido destas nos obrigando a tomar uma atitude para nos voltarmos para o que já somos. É como uma volta para casa, nossa casa. [Heidegger]

RITO: Segundo o Aurélio, rito: regras e cerimônias próprias da prática de uma religião; culto; religião.Ritual: relativo a rito; liturgia; cerimonial; etiqueta.

SABER QUÂNTICO: “O segundo esclarecimento diz respeito ao tipo de saber que estaremos utilizando com maior freqüência na construção do paradigma transdisciplinar: o saber quântico. Um saber é o conjunto do conhecimento de um sujeito mais o tipo de raciocínio, a lógica, que este sujeito utiliza para justificar este conhecimento. O saber quântico é marcado pela dialógica da pertinência difusa simultânea, base do raciocínio transdisciplinar, que permite compreender a realidade de um mesmo objeto possuindo dois comportamentos lógicos distintos. Ele também permite, enquanto saber transiente que é, atravessar e comunicar-se, sem entrar em contradição, com os demais quatro saberes constituídos e suas respectivas lógicas: o saber religioso, o saber filosófico, o saber popular e o saber científico.”
(SILVA, Daniel José. O paradigma transdisciplinar: uma perspectiva metodológica para a pesquisa ambiental. www.cetrans.futuro.usp.br/textos <http://www.cetrans.futuro.usp.br/textos> Acesso em 26.03.2003)

SAGA: indica e significa o dizer, o dito e o que deve ser dito. Dizer é o mesmo que mostrar, no sentido de deixar aparecer e brilhar, mas como um aceno que desvela a verdade. Saga é, portanto uma fala articuladora de sentido que acontece e funda algo ao mostrar a verdade do ser que se mostra como o ser da verdade. O acontecimento da verdade pode se dar em 3 movimentos (no Ocidente): na Arte – que são afinações fundamentais, disposições do espírito; na Política – a fundação se dá pelo Ato que é feito, o próprio ato é fundador;  na Filosofia – são possibilidades que são fundadas e eu me projeto nessas possibilidades. Quando repensamos a saga e quando ela acontece como caminho, somos transportados, a experiência acontece e nos aparece algo, um brilho e vislumbramos um pouco mais da verdade, ela se desvela um pouco mais a nós. [Heidegger]

SANJAYA  Simboliza a introspecção imparcial, aquele que conquistou a si mesmo e pode observar tudo sem julgamento ou preconceito e na Gita simboliza o insight divino. No poema é aquele que narra para o rei cego os acontecimentos.

SEMIOSE: inferência, significação. O objeto. O signo (representamem). O Interpretamen. (Fonte: Charles Sanders Peirce, filosofo americano (1859-1913). Sua teoria foi redescoberta pela semiologia, pela filosofia, pela fenomenologia e agora pela transdisciplinaridade)

SEMIÓTICA: teoria geral dos signos. “Doutrina quase necessária ou formal dos signos (CP. 2227). É o outro nome para a Lógica.
(Fonte: Charles Sanders Peirce, filosofo americano (1859-1913). Sua teoria foi redescoberta pela semiologia, pela filosofia, pela fenomenologia e agora pela transdisciplinaridade. )

SIGNO: (1) Direção semântica das palavras signo, algorítmo e notação, designando a «função de ligação operada pelo símbolo entre duas ordens de realidade», sendo mais convencional e artificial. Galvani acrescenta que, ainda segundo Borella, «signo e símbolo significam, ou seja, ambos orientam o “leitor” para um objeto ou referente, mas o modo de referência é diferente para cada um, que é o que funda toda a distinção entre signo e símbolo». O modo de referência do signo é designativo, o do símbolo é de presentificação, «ele presentifica tornando presente por seu próprio ser».Nesse ponto de vista, a distinção entre símbolo e signo repousa sobre sua função referencial. O símbolo não designa um referente preciso e não define uma ordem de realidade particular, podendo ser interpretado em diferentes níveis. O que não acontece com o signo, que define o objeto designado e sua ordem de realidade (signo matemático, por ex.).

(2) relação triádica envolvendo um signo, um objeto e o interpretante. O interpretante como elemento ativo reenvia o signo a seu objeto.
(Fonte: Charles Sanders Peirce, filósofo americano (1859-1913). Sua teoria foi redescoberta pela semiologia, pela filosofia, pela fenomenologia e agora pela transdisciplinaridade)

SÍMBOLO: Aspecto mais convencional e social do termo: atributo, insígnia e representação, sendo religados por a sua codificação convencional. (1) Galvani trata de outras significações da palavra símbolo:«Uma das significações mais antigas da palavra remete aos termos imagem, reflexo, ícone, traço e vestígio (escolas pitagórica, platônica e egípcia)», aplicando-se à toda a criação como o reflexo do mundo espiritual; e a natureza icônica do mundo sensível faz do símbolo um reflexo que “significa por presentificação”. Outra significação remete «aos termos alegoria, parábola, metáfora», referindo-se à retórica, ao discurso, e, em seu conjunto, evocando o deslocamento, o transporte (a metáfora evoca uma idéia de transporte, de transferência de sentido).

(2) “O primeiro [conceito] a ser aprofundado foi o de Símbolo, ferramenta que me pareceu importante para poder pesquisar as questões que me intrigavam. Os símbolos pareciam se apresentar como enigmas, escritos em linguagem cifrada que, ao ser decifrados, nos permitiam adentrar em outros níveis de realidade que não se mostravam de forma literal e explícita. Um símbolo pode ser uma idéia, uma emoção, um acontecimento ou um objeto que, além de seu significado literal, possui outros significados ocultos e até mesmo inconscientes. O que chamamos de símbolo é um termo, um nome ou mesmo uma imagem que nos pode ser familiar na vida diária, embora possua conotações especiais além de seu significado evidente e convencional. Implica alguma coisa vaga desconhecida e oculta para nós” (Jung,1964.p.20). (…) Para Alicia Fernández (1990), o mundo simbólico é que organiza a vida afetiva e as significações, é ele que nos permite pôr em relação, é através dele que nos diferenciamos, torna-nos únicos, damos conta de nossos sonhos, de nossos erros, de nossas lembranças e de nossos mitos. Nesse nicho, no qual se articula o mundo lógico e simbólico é que surgem os movimento que nos levam a buscar o conhecimento para preencher espaços vazios. (FURLANETTO, Ecleide C. A formação do professor: dimensões simbólicas da pesquisa interdisciplinar. 2001).

SVARDHARMA   Nosso dever particular.

TRAJETO ANTROPOLÓGICO: (…) “trajeto antropológico”, que nada mais é do que relação, trajetividade, entre os pólos biopsíquico (pulsões subjetivas) e sociocultural (intimações do meio). O trajeto põe em relação uma representação ou atitude humana, aquilo que vem do psicofisiológico, e o que vem da sociedade e da sua história, impedindo “epistemologicamente”, a dominância de um sobre o outro (Durand, 1980). Da mesma forma, resolve o problema da anterioridade ontológica de um dos pólos, pois postula, de uma vez por todas, segundo Durand (1997), a gênese recíproca que oscila do gesto pulsional ao entorno material e social e vice-versa. É na trajetividade que a representação do objeto se deixa assimilar e modelar pelos imperativos pulsionais do sujeito e, reciprocamente, as representações subjetivas explicam-se pelas acomodações anteriores do sujeito ao meio objetivo. A pulsão individual tem sempre um “leito social” no qual corre facilmente ou, pelo contrário, luta contra os obstáculos, de modo que o sistema projetivo da libido nunca é pura criação do sujeito, uma mitologia pessoal (Durand, 1997).

(TEIXEIRA, Maria Cecília Sanchez. O imaginário como dinamismo organizador e a educação como prática simbólica <http://www.cice.pro.br/textos/cecilia_brasilia.doc>. Acesso em 26.03.03)

TRANSCULTURAL: “Pessoalmente acredito que podemos falar de transcultural somente no que diz respeito a determinadas estruturas fundamentais da cultura, tal como vimos no que diz respeito ás três dimensões ontonômicas (mito, logos, mistério) ou à dimensão cosmoteândrica. O transcultural corresponderia então à partilha de certas invariantes humanas que estão presentes em todas as culturas como elementos estruturantes destas, mas não em seus conteúdos e explicitações….não acho que a passagem a fazer seja do intercultural ao transcultural, mas precisamente, pelo que acabo de dizer, do transcultural ao intercultural. É por existirem certas dimensões transculturais que podemos pretender um diálogo intercultural como realidade plausível , não para chegar ao estabelecimento de uma transcultura ou metacultura, mas para que as diferentes culturas possam chegar a ser mais completas , em todas suas dimensões, para serem mais plenamente o que já são. …Finalmente, não acho que cada cultura seja um instrumento de uma sinfonia, mas antes uma sinfonia em si mesma que, certamente, através da escuta atenta e amorosa de outras sinfonias, com outros ritmos e outros instrumentos, pode enriquecer a maneira de tocar a sua partitura. 
(COLL, Augustí Nicolau. As culturas não são disciplinas: existe o transcultural? In: Educação e transdisciplinaridade II. São Paulo: Triom, 2002.)

TRANSDUÇÃO: diz respeito á lógica analógica, passa do domínio da abstração parao domínio da imaginação e do sentimento. Relacionada com a razão sensível e com o conhecimento comum.
(Fonte: Charles Sanders Peirce, filosofo americano (1859-1913). Sua teoria foi redescoberta pela semiologia, pela filosofia, pela fenomenologia e agora pela transdisciplinaridade. )

TRANSJETIVIDADE: Existe um ritmo justo na vida: não é mais a consciência, a razão soberana que guia a ação, mas um constante estar de acordo com a matéria natural que será o caminho que a mão toma no seu gesto criador. Nesse ajustamento não existe uma prevalência do sujeito sobre o objeto nem uma oposição entre o subjetivo e o objetivo, mas uma transjetividade, isto é,  um constante vai e vem de ambos que se interpenetram – é tomar em ação a inteiridade das coisas respondendo com a integridade do ser. [Ref.: a Michel Maffesoli no livro Matrimonium – Petit traité d’ecosophie, 2010]

UNITAS/MULTIPLEX: “Refere-se à idéia de que a espécie humana é uma relação complexa dialógica e recursiva entre a unidade e a diversidade. Compreender o humano é compreender sua unidade na diversidade e sua diversidade na unidade. Existe uma unidade humana e também existe uma diversidade humana. A unidade não está somente nos traços biológicos da espécie homo sapiens, A diversidade não está apenas nos traços psicológicos, culturais e sociais do ser humano. Existe também uma diversidade propriamente biológica no seio da unidade humana, não só há uma unidade cerebral, mas mental, psíquica, afetiva e intelectual. Além disso, as culturas e as sociedades mais diversas têm princípios geradores ou organizadores comuns. É a unidade humana a que leva em si os princípios de suas múltiplas diversidades. O fundamental é compreender que aquilo a que chamamos “Natureza humana” não é nada substancial: trata-se de uma mesma matriz organizacional, geradora de unidade e diversidade.” (MORIN, Edgar, CIURANA, Emílio-Roger, MOTTA, Raul Domingo. Educar na era planetária: o pensamento complexo como método de aprendizagem pelo erro e incerteza humana. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2003. p. 80-81)

VYASA:  É aquele que vê antes tudo o que vai acontecer na nossa história, que narra os fatos  e dita a história do Mahabharata para Ganesha escrever. Ele narra  a batalha de duas famílias – os Padavas e os Kurus -, mas que fala da batalha universal que todo homem realiza diariamente em sua vida.

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YOGA  União da consciência individual ou alma com a Consciência Universal ou Espírito. Existem vários caminhos da Yoga que levam para essa meta, cada um é um sistema com características bem definidas. Todos esses caminhos exigem disciplina e comprometimento. Um compromisso profundo com um  certo tipo  de vida. A Bhagavad Gita mostra como cada um desses caminhos contribui para se chegar à meta que é a união com o Divino. Os três primeiros –  Karma Yoga,  Inana Yoga e  Bhakti Yoga são o assunto dos 18 capítulos desse poema:

  • Karma Yoga   Disciplina da ação. Serviço que se faz aos outros sem apego aos resultados.
  • Inana Yoga   Disciplina do conhecimento. Caminho da Sabedoria Discriminativa.
  • Bhakti Yoga  Disciplina da devoção. É através dela que vemos e amamos a divindade em cada criatura e em cada coisa existente no universo.
  • Hatha Yoga   Sistema de posturas ou asanas.
  • Mantra Yoga Centramento da consciência através da repetição de certos sons universais.
  • Raja Yoga  Sistema mais tardio e que combina a essência dos outros cinco.

ZONA DE NÃO RESISTÊNCIA: (1) zonas de resistência e de não resistência: «A estrutura godeliana da unidade dos níveis de realidade, associada com a lógica do terceiro incluído, implica numa impossibilidade de construirmos uma teoria completa para descrever a passagem de um nível [de Realidade] para outro e, a fortiori, para descrever a unidade dos níveis de Realidade. Se tal unidade existe, este elo entre todos os níveis de Realidade deverá ser necessariamente uma unidade aberta.Para termos certeza, há uma coerência da unidade dos níveis de Realidade, mas esta coerência está orientada numa certa direção : (…) existe uma flecha associada à transmissão de qualquer informação de um nível ao outro. Conseqüentemente, se a coerência for limitada apenas a certos níveis de Realidade, ela se interrompe tanto no nível mais “alto”, como no nível mais “baixo” [resistência: os níveis são irredutíveis um ao outro]. Se quisermos sugerir a idéia de uma coerência que continue para além destes dois níveis limítrofes, de modo que haja uma unidade aberta, temos de conceber a unidade dos níveis de Realidade como uma unidade que se estende a uma zona de não resistência às nossas experiências, representações, descrições, imagens e formulações matemáticas. Essa zona de não resistência corresponde ao “véu” ao qual Bernard d’ Espagnant se referiu como sendo “o véu do Real”. Tanto o nível mais “alto” quanto o mais “baixo” da totalidade dos níveis de Realidade estão unidos por uma zona de transparência absoluta. Porém, esses dois níveis são diferentes e, portanto, do ponto de vista de nossas experiências, representações, descrições, imagens e formulações matemáticas, a transparência absoluta funciona como um véu. De fato, a unidade aberta do mundo implica que aquilo que está “embaixo” é o mesmo que o que está “em cima”. As correspondências entre “em cima” e “embaixo” são estabelecidas pela zona de não resistência. Nessa zona não há níveis de Realidade. A não resistência dessa zona de transparência absoluta é devida, simplesmente, às limitações dos nossos corpos e dos nossos órgãos sensoriais – limitações que se aplicam, indiferentemente, às ferramentas de medição que utilizamos para estender esses órgãos sensoriais. A zona de não resistência corresponde ao sagrado – àquilo que não se submete a nenhuma racionalização. (…) O sagrado é aquilo que conecta. O sagrado liga, como indica a raiz etimológica da palavra “religião” (religare – tornar a ligar), porém essa habilidade não é atributo de uma religião. (…) O modelo transdisciplinar da Realidade traz uma nova luz ao significado do sagrado. (…) A zona de não resistência absoluta do sagrado surge como a origem [de um] duplo movimento, que é simultâneo e não-contraditório, subindo e descendo pelos níveis de Realidade e de percepção. (…) O sagrado permite o encontro entre o movimento ascendente [trans-ascendência, transcendência] e o movimento descendente [trans-descendência, imanência] da informação e da consciência através dos níveis de Realidade e dos níveis de percepção [é o espaço de coexistência entre o transcendente e o imanente]. Esse encontro é uma condição insubstituível para a nossa liberdade e a nossa responsabilidade. Ele é o espaço de unidade entre o tempo e o não-tempo, o causal e o acausal. 
(Nicolescu, Basarab. Fundamentos metodológicos para o estudo transcultural e transreligioso. In: Educação e Transdisciplinaridade II. São Paulo: TRIOM, 2002. p.53,54,59,61,62)

(2) As zonas de não resistência constituem o espaço privilegiado do fenômeno transdisciplinar. Os conceitos de pertinência, da matemática difusa e de afinidade, que emerge a partir do primeiro, são suficientes para explicar o que são as zonas de não resistência. A cada nível de realidade observada corresponde um nível de percepção do observador. Ao considerar a dialógica do terceiro incluído, é possível estabelecer a existência simultânea de partes de um mesmo elemento em dois níveis diferentes de realidade. À esta possibilidade chamamos pertinência de T em relação à A e em relação à não-A. Esta pertinência é, inicialmente, de natureza quântica e portanto, material. Significa dizer que em todas as dimensões de realidades representativas de um objeto, existe uma certa quantidade de matéria comum à todas as dimensões. Quando dois ou mais observadores – que no enfoque deste texto significam os pesquisadores ambientais – conseguem reconhecer suas pertinências, através do resgate de seus históricos de vida e de suas origens, abre-se uma possibilidade de segunda ordem, que é a identificação de suas afinidades, através da simples revelação de suas crenças, valores e gostos. Esta afinidade é um sentimento, uma emergência, e, portanto uma realidade não material. Pertinência e afinidade constituem, então, um espaço dimensional no qual tanto a realidade representada – constituída de matéria quântica – como a percepção que a representa – constituída de sentimentos – são comuns a cada um dos sujeitos, fazendo parte de sua autopoiésis. Assim sendo, estes espaços não apresentam resistência ao esforço cognitivo do sujeito. Se imaginarmos agora um fluxo vertical de energia – que pode ser entendido também como um fluxo de informação — passando por estes espaços dimensionais, temos aí uma zona vertical de acessamento cognitivo, cuja principal característica é não apresentar resistência ao trabalho de uma equipe de pesquisadores, tais como a construção de domínios lingüísticos, a concepção de estratégias, a experimentação de modelos, a produção de sínteses, a visualização criativa e mesmo a formalização matemática. As zonas de não resistência enquanto uma vertical de acessamento cognitiva simultâneo entre os diversos níveis de realidade é uma unidade aberta e dizem respeito exclusivamente a autopoiésis do sujeito e sua capacidade de aprender com o seu próprio operar bem como com o operar do outro.
(SILVA, Daniel José. O paradigma transdisciplinar: uma perspectiva metodológica para a pesquisa ambiental. www.cetrans.futuro.usp.br/textos <http://www.cetrans.futuro.usp.br/textos> Acesso em 26.03.2003)